10 Mulheres. 10 Devocionais. Devocional 4: Mansidão não é silêncio

Oii aqui é a Isa, e hoje, dia das mulheres, venho compartilhar com vocês um pouco de um dos vários processos que vivi com senhor que me fizeram enxergar a mulher que ele me criou para ser.

Provérbios 31:8-9 diz:

"Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados".

Esse versículo sempre fez com que eu me questionasse sobre como de fato eu poderia sair da inércia que minha zona de conforto criou e agir, ser de fato alguém que fala e se impõe por algo que acredita.

Desde sempre fui uma pessoa mais quieta.

Sempre me senti confortável no silêncio, observando mais do que falando.

Ouvir sempre foi algo natural para mim, ouvir com atenção, com cuidado, tentando compreender o que o outro realmente quer dizer.

Por muito tempo achei que isso era tudo o que eu precisava ser: alguém que escuta, alguém que permanece em silêncio.

Mas com o tempo percebi que, em alguns momentos, o meu silêncio não vinha apenas da mansidão, às vezes ele vinha da retração ou da ideia de que a minha voz não era necessária. Mesmo quando eu tinha algo a dizer, quando talvez pudesse ajudar alguém a enxergar algo de uma forma diferente, eu ainda assim ficava na minha.

E havia também outra camada nisso tudo.

Eu ouvia muito as pessoas…

Mas quase ninguém me ouvia.

Não porque não existissem pessoas dispostas a me escutar, mas porque eu mesma não conseguia falar sobre o que estava dentro de mim. Eu tinha conversas profundas com o Senhor, derramava meus sentimentos em oração, mas raramente compartilhava com alguém o que eu estava vivendo, o que eu sentia ou quais eram as minhas próprias dificuldades.

Por muito tempo eu carreguei tudo em silêncio.

E com o passar dos anos, eu percebi algo importante: quando a gente não expressa o que está dentro de nós, de alguma forma isso encontra outro caminho para sair.

Muitos dizem que, quando a voz se cala por muito tempo, o próprio corpo começa a falar.

E isso também fez parte da minha história.

Esse processo me ensinou que ouvir é precioso mas também é importante aprender a se expressar.

Existe cura quando a gente encontra liberdade para trazer à luz aquilo que antes estava guardado.

Foi nesse caminho que comecei a entender algo que mudou a forma como eu vejo a mansidão.

Ser mansa não é apenas ouvir.

Ser mansa não é se calar.

Muito menos se ausentar ou ignorar seus próprios sentimentos.

Mansidão é força sob domínio. É sensibilidade. É discernimento.

O Senhor nos dá frutos, e esses frutos não são feitos apenas para serem guardados dentro de nós, eles também existem para serem refletidos no mundo, para alcançar outras pessoas.

Com o tempo eu também comecei a entender que Deus de fato nos deu uma voz, somos seres singulares, com histórias, vivências e experiências muito únicas.

Cada pessoa carrega um “universo” dentro de si e é justamente dentro dessas vivências que o Senhor nos encontra, nos ensina, nos trata e nos transforma.

E muitas vezes é a partir desse lugar que a nossa voz ganha propósito.

Porque nós temos autoridade para falar daquilo que já vivemos com Deus.

Não para falar de nós mesmos, mas para testemunhar aquilo que Ele já fez em nós.

Quando o Senhor cura algo em nossa história, quando Ele nos sustenta em algum momento difícil, quando Ele nos ensina a atravessar uma dor, aquilo passa a fazer parte da nossa jornada com Ele, e em algum momento, aquela mesma experiência pode se tornar uma palavra de encorajamento, de direção ou de consolo para alguém.

A nossa voz começa a proteger, curar e edificar exatamente aí:

Quando aquilo que Deus fez em nós se torna também uma ponte para alcançar outras pessoas.

No meu caso, existe algo muito específico na minha história.

Eu perdi meu pai quando ainda era criança, cresci sem a presença dele, e isso fez e sempre fará parte de quem eu sou e da forma como eu vejo muitas coisas na vida.

Por um curto tempo olhar pra isso me fazia questionar várias coisas e eu me sentia limitada para compreender a paternidade de Deus, mas Ele na sua imensa graça me pegou em seu colo e foi de pouquinho em pouquinho me fazendo entender sobre quem Ele é. Assim curando meu coração.

E agora, passado um bom tempo e consciente da Paternidade dele sobre a minha vida, e consciente de quem eu sou, reconheço que o senhor colocou os órfãos como um peso de oração dentro de mim, meu coração queima por isso.

Talvez porque eu entenda, de uma forma muito pessoal, algumas das dores e dos vazios que podem existir nesse caminho.

E é nesse lugar que eu também entendo um pouco mais sobre o que significa usar a voz.

Porque quando Deus encontra nossas histórias até mesmo as partes mais difíceis delas, Ele também pode transformar essas experiências em um lugar de intercessão, de compaixão e de cuidado pelos outros.

Aquilo que um dia foi dor pode se tornar também uma forma de defender, de encorajar e de lembrar alguém de que ela não está sozinha.

A nossa história carrega uma mensagem e o Senhor nos dá sabedoria para conta-lá.

E talvez seja isso que Deus deseja nos lembrar hoje: nossa voz não é um acaso.

Ela pode defender quem não consegue falar.

Pode encorajar quem está cansado.

Pode testemunhar o que Deus já fez em nós.

Então que nossas palavras sejam limpas.

Que nossa fala seja corajosa.

E que nossa mansidão nunca seja confundida com ausência.

Porque ser mansa não é viver em silêncio.

É aprender a usar a voz no tempo certo, com graça, verdade e propósito.

Hoje não tenho dúvidas de que o Senhor me criou para ser uma mulher que se posiciona com autoridade, alguém que não se cala por medo, que não só escuta mas aconselha, que não caminha em duvida, alguém que permanece crescendo em meio as dores e que usa elas pra testemunhar da bondade e fidelidade do Senhor.

Que sempre tenhamos sensibilidade para ouvir,

coragem para falar

e graça para usar a nossa voz da forma que Deus desejar.

Com carinho, Isabella Lins.

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